Non- Alcoholic Wines & Sparlings ganham palco no Wine Paris 2026

Pela primeira vez, a Wine Paris 2026 dedicou um espaço  exclusivo aos vinhos sem álcool — o Be No Tasting Area - , reconhecendo formalmente a maturidade crescente deste segmento no contexto internacional do sector.

Não se trata apenas de uma tendência, mas de transformação dos gostos de consumidores. O mercado apresenta:

 - Crescimento consistente em mercados como Reino Unido, França, EUA e Países Baixos.

- Consumidores mais exigentes, que procuram qualidade, complexidade e integração gastronómica.

- Aumento da procura por bebidas “de ocasião” — almoços de trabalho, condução, eventos sociais, bem-estar.

- Desenvolvimento tecnológico do processo de desalcoolização, com foco na preservação aromática e identidade varietal.

O vinho sem álcool não quer ocupar o lugar do vinho tradicional — quer ampliar a experiência e responder a novos momentos de consumo.

O Reino Unido, os EUA, França, Países Baixos e Alemanha lideram a expansão, impulsionados por alterações estruturais nos padrões de consumo.

Entre os principais vetores de crescimento destacam-se:

  • Mudança geracional: consumidores Millennials e Gen Z apresentam menor consumo per capita de álcool e maior valorização de bem-estar.

  • Consumo ocasional: aumento da procura em contextos profissionais e eventos sociais.

  • Saúde e funcionalidade: crescimento paralelo das bebidas com benefícios funcionais e foco em estilo de vida equilibrado.

  • Evolução tecnológica: melhoria significativa das técnicas de desalcoolização (osmose inversa, spinning cone column, recuperação de aromas), com maior preservação de compostos voláteis e estrutura sensorial.

Do ponto de vista enológico, o desafio permanece técnico: preservar os aromas e  a identidade varietal, equilibrando acidez, textura e persistência num produto onde o etanol — elemento estrutural — é removido. No entanto, a melhoria qualitativa é evidente face à primeira geração destes produtos, surgidos pela primeira vez há uns anos atrás e que tive também tive a oportunidade de  provar em Paris.

Paris mostrou que esta categoria “ganhou o seu lugar à mesa”. Importa sublinhar que o posicionamento da categoria evoluiu. O vinho sem álcool deixou de ser apresentado como “alternativa” e passou a integrar estratégias de portefólio e segmentação de mercado. Em hotelaria e restauração premium, começa a ser trabalhado com lógica de harmonização, serviço estruturado e storytelling próprio. 

A integração na alta gastronomia foi um dos temas centrais dos painéis: confiança, storytelling e respeito pela escolha do consumidor tornam-se elementos essenciais. 

A sinalização institucional em Paris confirma que estamos perante uma transformação estrutural e não conjuntural. Para produtores e regiões vitivinícolas, a questão estratégica já não é “se”, mas “como” integrar esta categoria de forma coerente com identidade, posicionamento e sustentabilidade económica.

E agora a questão é clara: estamos preparados, enquanto produtores e regiões, para integrar esta mudança estratégica?















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